ARTRÓPODES - ESCORPIÕES
Os acidentes escorpiônicos são importantes
em virtude da grande freqüência com que ocorrem e da sua potencial
gravidade, principalmente em crianças picadas pelo Tityus serrulatus.
A partir da implantação da notificação dos acidentes
escorpiônicos no país, em 1988, vem se verificando um aumento
significativo no número de casos. Dados do Ministério da Saúde
indicam a ocorrência de cerca de 8.000 acidentes/ano, com um coeficiente
de incidência de aproximadamente três casos/100.000 habitantes
(FUNASA 2001).
O CIT (Centro de Informações Toxicológicas)
de Santa Catarina registrou 58 casos para o ano de 2006, mas estima-se
que este número
seja maior, isto devido as casos subnotificados.
São artrópodes
quelicerados (quelicerata), incluídos
entre os aracnídeos embora existam evidencias de que eles constituam
grupo à parte. De origem aquática, por muitas décadas
foram considerados os organismos pioneiros na conquista do ambiente terrestre
durante o período Siluriano. Estudos paleontológicos demonstram,
entretanto, que as formas terrestres de escorpiões apareceram
mais tarde, no Carbonífero. Como é provável que
o processo de colonização tenha ocorrido através
de diversas tentativas, os escorpiões, provavelmente passaram
por um período
intermediário
de vida anfíbia no decorrer de sua história (CARDOSO
2003).
Representantes
de uma fauna arcaica relativamente estável, com exíguas
possibilidades de expansão, são objeto de grande valor
zoogeográfico,
como ressaltou Vahon (1947). Predadores desempenham no controle
populacional um papel que não deve ser menosprezado (MARICONI
1999).
Apesar dos escorpiões serem considerados um
grupo numericamente pouco expressivo, abrangendo cerca de 1.5000 espécies,
globalmente, a ordem Scorpiones apresenta distribuição geográfica
bastante ampla, estando representado em todos os continentes com
exceção
da Antártida. Os escorpiões podem ser encontrados desde
desertos como em florestas tropicais super-úmidas e também
em todos os outros gradientes intermediários de vegetação.
Os estudos sobre a composição da fauna e taxonomia
dos escorpiões
do século XVIII, ganharam maior consistência a partir
dos trabalhos de Pocok e de Kraepelin. Até o final dos anos
70, somente 6 famílias
eram reconhecidas e, a partir da década de 80, com trabalhos
de Lamoral e Lourenço, esse número cresceu para 9.
Todas as espécies
de escorpiões consideradas perigosas para o homem pertencem à família
dos Buthidae, única com distribuição geográfica
em todos os continentes colonizados pela ordem. São 550 espécies
estimadas, mas, no entanto apenas 25 espécies são consideradas
capazes de provocar acidentes graves ou fatais. Com o avanço
dos conhecimentos, o conceito de que os escorpiões são
animais generalistas, que podem viver em condições
extremas e muito variadas de habitat e micro-habitat foi sendo corrigido,
atualmente
sabe-se que os escorpiões
têm sim exigências muito específicas tanto em
relação
a habitat e micro-habitat como as condições do meio
ambiente (CARDOSO 2003).
A ESCORPIOFAUNA BRASILEIRA
Segundo CARDOSO 2003, levando em consideração
a superfície total do Brasil de 8.511.964Km2, à fauna de escorpiões é relativamente
pobre. Sem dúvida, isto é decorrente:
Embora a fauna
brasileira de escorpiões não esteja, com
certeza, toda conhecida, é de se prever que as contínuas coletas
poderão
revelar basicamente espécies novas sendo provavelmente pequeno o número
de gêneros novos ainda menor o de famílias novas a serem descobertas.
MORFOLOGIA
O aspecto externo dos escorpiões os
faz inconfundíveis. O corpo é basicamente formado por
duas partes: o prossoma, também chamado cefalotórax e
o opistossoma, também chamado de abdome. O prossoma é coberto
dorsalmente por uma carapaça, onde estão localizados
os olhos laterais e os medianos. O opistossoma é subdividido
em mesossoma ou pré-abdome, formado por sete segmentos mais
largos do que longos; e metassoma, ou pós-abdome, impropriamente
chamado cauda, formado por cinco segmentos, mais o telson, transformado
em vesícula de peçonha, como ferão terminal (MARICONI
1999).
Cardoso 2003, cita ainda que os sete primeiros
metâmeros
do abdome formam o mesossoma, constituído por placas dorsais
chamados de (tergitos) e placas ventrais (esternitos) e os 5 restantes
forma
o metassoma ou cauda.
Na face ventral do abdômen estão
os pentes, ou pécten,
que é uma estrutura curiosa, um órgão tátil
utilizado para explorar o chão e para o reconhecimento sexual
(HICKMAN 2004).
No prossoma inserem-se, lateralmente, quatro
pares de pernas. No lado ventral do corpo, entre as pernas 3 e 4, existe
uma estrutura ímpar
chamada externo, que tem importância no reconhecimento
das famílias.
Da parte anterior do prossoma partem:
Ventralmente, são
encontrados ainda no prossoma:
Com relação à morfologia
interna, é válido
ressaltar a estrutura do órgão
reprodutor masculino (hemiespermatóforos),
que tem grande importância
na sistemática
de famílias,
gêneros e espécies
(CARDOSO 2003).
ESCORPIÕES DE IMPORTÂNCIA
MÉDICA NO BRASIL
Tityus bahienses
Tityus trivittatus
Tityus costatus
Tityus cambridgei e Tityus metuendus
Tityus serrulatus
Tityus stigmurus
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